Mina do Romano

Extração de Lítio em Montalegre,
Norte de Portugal.

A “Lusorecursos Portugal Lithium, S.A.” é concessionária da exploração da "Mina do Romano", localizada na região de Montalegre, no Norte de Portugal. A Lusorecursos objetiva extrair e beneficiar rochas de afinidade granítica denominadas de aplito-pegmatitos LCT (Lítio-Césio-Tântalo). Para o efeito, todo o processo extrativo e de transformação tem sido planeado, considerando uma efetiva responsabilidade ambiental e social, numa lógica de compensação territorial, sustentabilidade e economia circular.

Localização

Localização Mina do Romano

A Mina do Romano, localiza-se na região do Alto Barroso. O Barroso constitui uma região do norte do País, fundamentalmente montanhosa e que ocupa o planalto Barrosão, situado a noroeste do distrito de Vila Real na província de Trás-os-Montes, compreendendo os concelhos de Montalegre e Boticas. Ambos os concelhos fazem parte da Comunidade Intermunicipal dodo Alto Tâmega. A Mina do Romano situa-se no concelho de Montalegre.

Este Município raiano, com 25 freguesias que ocupam 805,46 km² de área, confronta-se geograficamente, a norte com a província espanhola da Galiza (Municípios de Lobios, Muíños, Calvos de Randín, Baltar, Cualedro e Oímbra), a sul com o Município de Cabeceiras de Basto, a sudoeste com Vieira do Minho, a oeste com o Município de Terras de Bouro, a leste com o Município de Chaves, e a sudeste com o Município de Boticas.

A Reserva da Biosfera transfronteiriça Gerês-Xurés, onde se insere a Mina do Romano, foi declarada em 27 de maio de 2009 pela UNESCO, e está localizada na Comunidade Autónoma da Galiza (Espanha) e na Região Norte de Portugal. Abrange uma área total de 267.958 ha. distribuídos por duas áreas protegidas, o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) e o Parque Natural Baixa Limia-Serra do Xurés, integrando, em 1997 o Parque Transfronteiriço Gerês-Xurés, divididas por uma fronteira, mas unidas pelo continuo natural e pela cultura.

Histórico mineiro

Histórico mineiro

Durante o passado, parte da área que atualmente está integrada na concessão da mina do Romano foi alvo de exploração de estanho sob a forma de cassiterite (SnO2), e outros metais, mas em menor quantidade, como nióbio e tântalo a partir de concentrados de columbo-tantalites - coltan, (Fe, Mn) (Ta, Nb)2O6.
Nessas explorações antigas, denominado de Couto Mineiro de Bessa, foram deixadas como passivo ambiental várias cavidades/depressões topográficas que estão atualmente expostas e a que se associam a reconhecidas frentes de escavação e ainda entradas em subterrâneo associadas a galerias.

Os trabalhos extrativos que tiveram lugar no antigo Couto Mineiro de Bessa estão associados a um plano de lavra datado de 1947 reportando atividades desde o final da 1ª Guerra Mundial, trabalhos anteriores do ano de 1926 e ainda outros que remontam ao tempo da ocupação do Império Romano na Península Ibérica. O plano de lavra explana na sua totalidade a localização geográfica, vias de comunicação, cartografia geológica, formas de transporte dos minérios ao longo das galerias subterrâneas até à superfície, a ventilação e iluminação, etc.

Geologia

Geologia do jazigo Romano

Na área correspondente à concessão Romano ocorrem corpos de natureza aplito-pegmatítica LCT sob a forma de enxames de diques ou filões. Nestas rochas, leucocratas (de cor clara) e dispostas em enxames ou aglomerados de filões alojados surgem também outras rochas encaixantes de natureza metassedimentar (micaxistos andaluzíticos) e que se distinguem claramente das restantes pela sua coloração bem mais escura, elevada xistosidade e deformação. Nas rochas pegmatíticas estão contidas importantes ocorrências anómalas de minerais-minério que albergam elementos químicos de elevado valor (petalite – lítio; cassiterite – estanho; columbo-tantalite – nióbio e tântalo) e ainda minerais industriais como os feldspatos sódicos e potássicos e quartzo.

O lítio, é um elemento metálico constituinte de minerais como lepidolite, espodumena, petalite e ambligonite. O principal minério de lítio na concessão Romano é a petalite, que corresponde a um tectossilicato de fórmula geral LiAlSi4O10 com um conteúdo medido de forma direta e indiretamente na microssonda eletrónica de 78,67% em SiO2, 16,58% em Al2O3e 4,32% em Li2O.

Reservas

Reservas do jazigo Romano

As reservas do jazigo Romano da concessão, realizados a partir dos dados obtidos durante a prospeção e pesquisa, reportou recursos minerais de lítio com base na morfologia do depósito aplito-pegmatítico litinífero, resultantes da interpretação de perfis transversais e plantas de nível, proporcionaram a determinação de um teor de Li2O e respetiva tonelagem, assumindo-se um teor de corte económico (e não mineiro) de 0,3% de Li2O e uma densidade de 2,4 (densidade da petalite e não da rocha LCT).
Numa fase inicial, o cálculo de reservas da concessão Romano foi executado por competent person’s segundo as normas JORC. Mais recentemente foi realizado, um novo cálculo de reservas da concessão Romano, por consultores independentes e especializados na Datamine International Ltd. A Lusorecursos propôs-se a atualizar e melhorar a informação (e.g. geoestatítica, base de dados, modelo geológico com “cut-off” mineiro entre os aspetos de natureza gráfica) respeitante aos recursos litiníferos e estaníferos do jazigo mineral concessionado.

Do mesmo modo, mantém-se que, à luz do recurso total atual estimado de 15 Mton e para lá da reserva mineira aí contida, os indicadores de prospeção e pesquisa referidos apontam para que se tenha uma zona alvo (Exploration Target), ao longo do eixo considerado de cerca de 3x1km explicitado acima, mas que se venha a duplicar este valor de referência atual do projeto, para a hipótese de um total de 30 Mton para a concessão, ou seja, tal como então, reforça-se agora este objetivo-alvo indicado.

Plano de Lavra

Plano de Lavra

O método de exploração a ser empregue na concessão, ocorre em duas etapas, com metodologias distintas entre si. Durante a primeira etapa, ocorrerá a exploração à superfície até à profundidade de 40 metros aproximadamente (cota de 920 m). Numa fase posterior, o método de exploração ocorrerá em subterrâneo.

À SUPERFÍCIE

O desmonte e a extração das rochas aplito-pegmatíticas (LCT) da Mina do "Romano" serão efetuados, numa fase inicial, através da exploração à superfície, recorrendo a um processo de mineração de precisão denominado de “Strip Mining”. Contrariamente aos métodos explosivos e de perfuração subterrânea, este processo otimiza a separação entre os materiais de interesse e os restantes, promovendo uma separação inicial mais eficaz e, assim, aumentando a qualidade do mesmo para os processos de transformação a jusante. O método de “Strip Mining” consiste no corte ou ripagem do material do topo do depósito seguindo um padrão pré-definido por mineradores de superfície (e.g. Vermeer T1255 Terrain Leveler). O tambor de corte usa bicos de tungsténio para fragmentar as rochas que atravessa e estando localizado na traseira do minerador, cortando o material enquanto os rastos avançam sobre o terreno ainda por cortar. Este equipamento apresenta um baixo centro de gravidade que garante a melhor tração, mantendo-o equilibrado e estável. O minerador de superfície a utilizar na extração à superfície possui sistemas automatizados sofisticados e ainda possui acoplado um aspirador para que as poeiras emitidas durante o processo de extração sejam completamente diminutas.

O sistema de corte "topo-base" ("top-down") permite que os bicos penetrem no solo sem usar o esforço de tração da máquina. Esta técnica dá aos operadores a oportunidade de controlarem o tamanho do produto alterando a profundidade de corte do tambor. O material desagregado é deixado no solo atrás da máquina, estando pronto para ser carregado e transportado. De seguida, será empilhado / agrupado em montes ou stockpiles por bulldozers e carregado com pás carregadoras (wheel loaders) para ser transportado por camiões fora-de-estrada ou dumpers.
É importante ainda salientar que o minerador de superfície Vermeer será igualmente utilizado na construção e manutenção das estradas de transporte de minério ou outras vias de acesso de e para a concessão.
Parte do material será conduzido para a unidade industrial da Lusorecursos, a fim de ser processado e/ou transformado quimicamente. Os restantes materiais rejeitados serão posteriormente depositados em aterros provisórios, e por fim, utilizados para preenchimento das cavidades resultantes do método de exploração subterrâneo.

SUBTERRÂNEO

Paralelamente aos trabalhos que decorrem à superfície, é importante a elaboração de trabalhos em profundidade para a exploração do corpo pegmatítico devido à complexidade dos mesmos e à escala temporal. A geometria tabular dos corpos pegmatíticos torna viável a exploração subterrânea dos mesmos, pois há menor extração de material estéril. Assim, assume-se que a diluição mineral será reduzida, uma vez que o material estéril não necessitará de ser removido e pode ser usado como suporte aos trabalhos a decorrer em subterrâneo assegurando as condições de segurança necessárias.

Inicialmente será realizada a abertura de um túnel e um poço, de modo a obter vias de acesso para o jazigo. Estas deverão ser dimensionadas de maneira a permitir a passagem de veículos para a circulação de materiais, equipamentos e trabalhadores. Devem existir bolsões com maior dimensão para a manobra dos veículos. Após os acessos primários, ocorrerá a abertura de galerias de acesso para o “ataque”, em locais que darão acesso ao desmonte do jazigo. Nestes, de menor dimensão que os túneis, ocorrerão ações de desmonte, recolha e transporte de rocha, que será conduzida para um sistema de britagem e, consequentemente para a zona do complexo de anexos mineiros. Nesta fase serão necessários equipamentos específicos para os trabalhos subterrâneos, uma vez que estes devem apresentar características específicas, tais como dimensões reduzidas, maior manobrabilidade e os demais atributos relacionados com o ambiente confinado.

Plano Industrial

Plano Industrial

A empresa Lusorecursos Portugal Lithium pretende produzir hidróxido de lítio monoidratado (LiOH.H2O) a partir de concentrados de petalite e espodumena, que provêm da extração e beneficiação das rochas aplito-pegmatíticas (LCT) da Mina do "Romano".
O complexo de anexos mineiros será constituído por um Concentrador e uma Fábrica de Transformação Hidrometalúrgica dos concentrados mineiros.

CONCENTRAÇÃO

A concentração consiste na fragmentação das rochas-alvo, com consequente separação dos seus diferentes constituintes minerais, recorrendo a vários métodos específicos (e.g. britagem e moagem, separação granulométrica, ótica, magnética e gravítica e processos de flutuação por espumas, entre outros).

HIDROMETALURGIA

A hidrometalurgia consiste na conversão de petalite e α-espodumena em β-espodumena após calcinação a 1100°C. De seguida, estes materiais são submetidos a um conjunto de processos químicos que culminam na formação de hidróxido de lítio – LiOH.H2O ultrapuro, um percursor adequado à síntese de compostos que integram cátodos e eletrólitos de células de baterias.

Economia Circular

Economia Circular

Um dos conceitos e políticas da Lusorecursos é a Economia Circular, no qual dispõe de parceiros que desempenham medidas de desenvolvimento sustentável, modernas e inovadoras nos processos e produtos, de modo a tornar a empresa mais eficiente e competitiva no setor de atuação. A Economia Circular no caso da Mina do Romano é uma abordagem desde à extração de matérias-primas e da produção de hidróxido de lítio, até reutilização, recuperação e reciclagem dos recursos, apostando ainda no incentivo à redução do consumo.



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